História

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RIBEIRÃO DO PINHAL, segunda, 20 de agosto de 2018
História

A história de Ribeirão do Pinhal começa aproximadamente por volta de 1880, quando Santo Antônio da Platina era ainda um pequeno povoado. Havia ali um senhor que fazia serviços de advocacia, além de ser de boticário. Seus serviços advocatícios constituíam em petições e consultas sobre demandas; seus conselhos e sentenças, segundo o dito popular, eram "tiro e queda", pois eram casos consumados.

Foi esse senhor quem aconselhou o alforriado João Francisco da Veiga - natural de Santa Catarina, negro de idade avançada, sendo tropeiro de profissão, viajava sempre entre sua terra natal (SC) e a cidade de Ourinhos (SP), comercializando erva-mate procedente de seu estado em troca de café - a requerer a posse de São Francisco, uma faixa de terra entre os rios das Cinzas e Laranjinha, calculada em 66 mil alqueires.
Tudo indica (visão esta concebida pelo grupo avaliador dos documentos existentes) que esta tramitação tenha sido feita em uma das expedições de João Francisco da Veiga entre as cidades que viajava para comercializar seu produto.

O requerimento foi feito pelo preço de Cr$ 12,5 (doze cruzeiros e meio), ou aproximadamente 5$000 réis, que recebeu despacho favorável por parte de D. Pedro II, então Imperador do Brasil. Todavia, João Francisco da Veiga, faleceu em 1.888, sem ao menos saber dessa concessão. Seus herdeiros, também não se apossaram das terras pois desconheciam a sua localização.

Por volta de 1922, achava-se na Secretaria da Fazenda, o Secretário Geral de Estado, Dr. Marins Alves de Camargo, que, interessando-se pela referida posse, localizou os filhos de João Francisco, propondo-lhes compra da propriedade. Como as demarcas seguiam-se satisfatoriamente para ambas as partes, foram contratados os serviços de advogados e engenheiros que trataram de todos os papéis que o caso requeria e fizeram o levantamento de toda a gleba (parte do terreno que ainda não foi judicialmente dividida).

Devidamente autorizado, por procuração, o Dr. Marcelino José Nogueira Júnior encarregou-se dos trabalhos necessários para a regularização dessas terras. Com o passar do tempo, o relatório final foi julgado e finalmente aprovada a medição judicial. A venda foi então definitivamente acertada, tendo sido pago aos herdeiros 5$000 (cinco mil réis) por alqueire comprado.

A posse de São Francisco compreendia a maior parte dos municípios que atualmente englobam Ribeirão do Pinhal, Jundiaí do Sul e Santo Antônio da Platina. Relata-se que naquela época, estas terras eram habitadas pelos índios "Bororos". Entretanto, de acordo com algumas fontes, que de comum acordo com arquivos do Tombo do Santuário do Divino Espírito Santo de Ribeirão do Pinhal, consideram que a tribo indígena que ocupava a região, fossem os Caingangues. Os nativos foram afastados pelos "linguaras" José Cândido Teixeira e Augusto Avelar juntamente com sua comitiva. Linguaras são intérpretes dos brancos junto aos povos indígenas (Fonte: Dicionário Aurélio). Estes conseguiram afastar os índios até as cabeceiras de onde hoje são as fazendas Santa Maria, Guanabara, Adelaide, Íris, Vertentes etc. Desde então, sucederam-se outras caravanas, sendo que da última fazia parte o Sr. José Domingues Faustino, caravana essa que chegou a atingir o Salto do Laranjinha.

Relata-se que, a expedição de um "tal" Coronel Rodrigues do Prado às terras, foi o que incentivou José Domingues Faustino. Coronel do Prado deixou gratas recordações naqueles que a compuseram. "A vegetação exuberante, aqueles palmitais extensos, as perobas gigantescas, a natureza, tudo inspirava àqueles homens rudes, confiança e vitória." (Correio do Progresso, 1954, nº 6, p. 2).

José Domingues Faustino, sertanejo arrojado e acostumado o trabalho agrícolas, às grandes derrubadas e às criações de animais, apaixona-se pelas terras de "Pinhalzinho", criando dentro de si as esperanças de uma vida futura mais próspera. Naqueles olhos visionários, antevia longos cafezais. De tal modo José Domingues Faustino ficou sonhando com aquelas terras que um dia falou à família "vamos nos mudar". Reunindo o seu filho Clodomiro e os irmãos Benedito, Virgílio e Francisco Ruivo, contou-lhes daquilo que se passava dentro de sua cabeça. Entusiasmado, não tinha adjetivos suficientes para expressar a magnificência do que pudera ver. Depois de descrever-lhes a região, convidou-os a para irem com ele para a região do "Pinhalzinho". E suas palavras foram tão convincentes, que todos prontamente aceitaram o convite e seguiram em busca de dias melhores.

Arrumaram os seus pertences e partiram para a magnificência do "Pinhalzinho". Na caminhada levaram 84 (oitenta e quatro) dias, da beira do Cinzas ao Ribeirão do Veado, passando pelos mesmos dissabores que a caravana de Coronel Rodrigues havia passado e pelos mesmos perigos. Zé Domingues ia orgulhoso no comando de seus companheiros, através daquela picada que ajudara a abrir. Localizou seu futuro à margem esquerda do Ribeirão do Veado e apossou-se da terra qual um verdadeiro dono o faria. Era então o dia 26 de maio de 1924.

O Jornal Correio do Progresso relata que no dia seguinte os cinco homens e, entre eles Clodomiro Faustino, na época com 17 anos; este juntamente com os demais, entregaram-se ao trabalho. Fizeram a derrubada da grande área, ergueram choupanas, soltaram as galinhas e construíram um pequeno mangueirão para os porcos e voltaram-se para a terra virgem e selvagem, civilizando alguns alqueires de terra e fizeram sua primeira semeadura. O milho fora o produto escolhido pela rapidez de sua produção, facilidade de plantio e por estar na "lua" própria para sua plantação. E quando a terra começou a cobrir-se do verde das folhas que brotavam da terra, José Domingues Faustino voltou a Santo Antônio da Platina para trazer o resto da família. Posteriormente, a fim de satisfazer seu consumo, uma vez que a aquisição de mantimentos era de grande dificuldade, plantaram feijão, batata, arroz etc. Também colhiam o palmito que era abundante na região e por vezes se aventuravam em caçadas e nesse meio tempo iam desbravando ainda mais as terras juntamente com seus filhos.

Quase um ano depois, novos desbravadores surgiram na região, talvez inspirados na confiança de José Domingues e/ou levados pelo sonho de uma vida mais próspera. Por volta de 1925, Joaquim Pedreiro segue com sua família, instalando-se perto do Ribeirão do Penacho, à sua margem esquerda. Além destes, pouco a pouco vieram instalar-se na região, Benedito Reeiro, com sua numerosa família e também Francisco Emílio e Joaquim Emílio, que fizeram seus casebres em uma das margens do Ribeirão do Veado.

Diferentemente de algumas cidades paranaenses, a povoação de Ribeirão do Pinhal, não foi prevista nem programada, porém, consequência lógica da venda de glebas efetuadas pelo Sr. Erasmo Cordeiro, cor­retor do proprietário, Dr. Marins Alves de Camargo. Os primeiros compradores foram José Domingues Faustino, Antônio Rosa, Manuel Bernardino Bonifácio, Antônio Rogério Rosa, que, por conseguinte, iniciaram rusticamente a construção de suas residências, iniciando assim a povoação. A partir daí, a cidade que para muitos até então era sinônimo de inspiração, desejo de novos ares e uma vida promissora começara a se desenvolver.

Em 1924, a denominação da localidade era Espírito Santo do Pinhal, que de bom acordo entre os então primeiros que aqui se fixaram, homenagearam aquele que por muitos era respeitado, Joaquim Domingues Faustino, em decorrência de sua data natalina, a saber, 29 de junho. "Por ser o mais velho da região, aquele que primeiro a desbravou para cultivar a terra, José Domingues Faustino, tornou-se não só um símbolo, como um verdadeiro chefe daqueles, que como ele vieram ali estabelecer-se. Os seus conselhos eram sempre ouvidos e nenhuma compra ou venda se efetuava sem que fosse solicitada a sua abalizada opinião. Não sós isto lhe dava certa importância, como também o fato de ter alguns homens trabalhando sob suas ordens" (Correio do Progresso, 1954, p. 2).

Com a chegada de novas caravanas, vindas principalmente de Minas Gerais e da região de Curitiba, com o objetivo de "desbravar" o estado que ainda estava inteiro por ser descoberto, Espírito Santo do Pinhal foi se desenvolvendo cada vez mais.

No ano de 1924, foi construída a primeira casa residencial pelo Senhor Vergílio Rosa, onde foi a Padaria Sabor e Arte e atualmente é uma loja de vestuário.

Deste ano em diante sucederam-se vários acontecimentos que contribuíram para o progresso do pequeno povoado. No dia 8 de setembro de 1925, Frei Angélico benzeu o primeiro cemitério. Ainda este nesse ano, após três meses foi erguido o primeiro Cruzeiro e sepultada a primeira pessoa: uma menina com dez anos de idade, com o nome de Ana.

Em 1926 foi construída a primeira casa comercial pelo Senhor Armando da Silva, o Mandico e celebrada a primeira missa pelo Frei Angélico, onde atualmente é a Praça Erasmo Cordeiro.

Em 1933 o Senhor Erasmo Cordeiro, grande colonizador das terras do Espírito Santo do Pinhal, assumiu a administração da Fazenda Yone, para onde mudou-se em 1934. Como a colonização desta fazenda deveria ser restaurada, surgiu à necessidade da fundação de um comércio e foi incontestavelmente o Sr. Erasmo Cordeiro o inspirador dessa ideia, que conseguiu autorização do proprietário da fazenda, Dr. Marins Alves de Camargo, ficando combinado entre ambos a quantidade de alqueires a forma de doações, venda de datas e nome do povoado, que ficou sendo Patrimônio Pinhal. A seguir, foram demarcadas os primeiros quarteirões e desde então o povoado já alcançava o mesmo número de casas existentes em Abatiá, Jundiaí do Sul, que eram povoados bem mais antigos.

O povoado foi se desenvolvendo e em 20 de outubro de 1936 foi criado o Distrito de Pinhal, desmembrado do Distrito de Jundiaí, no município de Santo Antônio da Platina. Depois a denominação foi alterada de Distrito de Pinhal para Distrito do Laranjinha, devido ao Rio Laranjinha que banha o município. Este rio nasce na extremidade sul-oriental de Jaguariaíva e deságua no Rio das Cinzas.

Em 1939, por ato do Interventor Federal, Manoel Ribas, o Distrito foi elevado à categoria de Vila, ocasião em que tornou-se Vila do Pinhal. No entanto, em 1942 por determinação judicial, o povoado novamente mudou de nome, passando a ser conhecido como Vila do Laranjinha. Essas denominações podem causar estranheza, mas isso se explica porque o Brasil na época utilizava o modelo administrativo de Portugal, que classificava Vila como uma unidade administrativa maior que o Distrito. Atualmente no Brasil, por adotar um sistema administrativo próprio, a palavra "vila" não tem mais o mesmo valor, sendo usada apenas no sentido informal.

Nesta época havia somente uma estrada que ligava a Vila do Laranjinha a Santo Antônio da Platina, até então a cidade mais próxima. Esta estrada possuía uma extensão de 42 km e o único meio de locomoção era uma jardineira de propriedade do Senhor Luiz Forte, que era dirigida por Antonio Magalhães, o Toninho. Quando o tempo estava seco, os habitantes da Vila faziam o uso da jardineira; partiam cedo e só voltavam a tarde, levando aproximadamente 3 horas para cada viagem. Em dias chuvosos as pessoas utilizavam cavalos e charretes, porém a viagem feita em um único dia era considerada um tanto penosa, devido às condições da estrada, que ficava quase intransitável, principalmente nas margens do Rio das Cinzas, onde havia uma precária ponte de madeira que acabou ruindo com o tempo. Com a queda da ponte o transporte ficou totalmente prejudicado e a travessia só foi possível através de uma balsa. Posteriormente foi construída uma ponte de concreto, que resiste até os dias atuais.

O ano de 1947 é considerado um marco para a então Vila do Laranjinha, e seus respectivos habitantes. No dia 10 de outubro, de acordo com a Lei Estadual nº. 02, a vila foi elevada à categoria de município, por decreto do Governador do estado do Paraná, Moisés Lupion. Por influência política ficou decretado que o nome do novo município seria RIBEIRÃO DO PINHAL, porque Laranjinha, nome originado do rio que banha o município, continha em suas águas micróbios transmissíveis da malária, o que constituía o terror para a pequena população da Vila.

O nome Ribeirão do Pinhal é originário do Rio que banha a cidade e Pinhal devido ao extenso número de pinheiros, da espécie Araucária angustifólia. No entanto, atualmente, devido ao processo de colonização e desmatamentos das espécies nativas, o número de Pinheiros-do-Paraná presentes na cidade reduziu consideravelmente, entretanto algumas espécimes ainda podem ser encontradas pelo território do município, relembrando a todos que o olham, sua identificação com o local onde habitam.

Para chefiar o executivo municipal, foi nomeado Raul Curupaná da Silva, que governou durante dois meses. Em 1948 assume o primeiro prefeito eleito do novo município, Hermenegildo Cavazzani. Nessa época Ribeirão do Pinhal contava com uma população aproximada de 16.600 habitantes. Para atender a demanda dos migrantes que vinham das mais diversas regiões do Brasil, foram comercializados inúmeros lotes de terra, que eram vendidos a Cr$ 200.000,00 (duzentos mil cruzeiros).

A primeira casa de alvenaria foi construída por Mariano Gregório Dantas, na atual Rua Paraná. O primeiro taxi era o Ford de propriedade do Sr. Abílio Roberto de Almeida e o Sr. Marcionílio Reis Serra possuía três caminhões que transportava cereais; circulavam também na Vila e Fazendas muitas charretes, carros de boi e cavalos.

Apesar dos preços elevados para época, um dos moradores doou um terreno para construir a primeira escola isolada do município. As primeiras professoras foram Zaíde Negrão Serra, Uldezira Santos e Laudelina Vaz Martinez, grandes pioneiras da educação de Ribeirão do Pinhal, que até hoje são lembradas pelo trabalho que realizaram na educação municipal. Na escola continham duas salas de aulas com três séries para cada professora. Posteriormente, conseguiram a autorização de funcionamento do quarto ano, passando a instituição a denominar-se Escola Reunidas do Laranjinha, que funcionou no local onde foi a primeira Prefeitura e é hoje a Câmara de Vereadores. 

No processo de colonização, desenvolvimento e transformação do município de Ribeirão do Pinhal não devemos esquecer a figura dos migrantes que aqui fixaram residência desde o início da colonização do território e que, com o seu trabalho árduo e a confiança em dias melhores, deixaram seu suor em cada pedaço desse chão.

Ribeirão do Pinhal, desde a chegada de José Domingues Faustino e sua comitiva desbravadora, recebeu um grande fluxo de pessoas advindas de variadas regiões do Brasil e do mundo, contribuindo com sua cultura, suas tradições e modo de vida para a formação de uma diversidade cultural tão grande como a nossa. Os primeiros desbravadores do município foram mineiros, que durante toda a década de 60 aumentaram o fluxo de migração buscando trabalho em Ribeirão do Pinhal. Além das migrações de estados como São Paulo e Santa Catarina, nossa cidade recebeu, ainda, migrantes espanhóis, italianos, portugueses, turcos, japoneses, poloneses, entre outros.

Esses migrantes destacaram-se na agricultura e no comércio, além de chegarem a exercer cargos públicos em varias administrações. Estavam em busca de uma nova vida, de uma terra fértil e propícia para o cultivo principalmente de café. A agricultura, até hoje o carro-chefe da economia municipal, foi a principal atividade exercida pelos migrantes.

Com a instalação da Paróquia do Divino Espírito Santo, passaram a celebrar a festa de São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida, que contribuíram para a relação social dos Pinhalenses, constituindo também um espaço de cultura, sociabilidade e construção de identidades.

Ribeirão do Pinhal, antes de ser elevado à condição de Comarca, pertencia administrativamente à Santo Antônio da Platina. No entanto, em 9 de junho de 1954 foi instalada a Comarca de Ribeirão do Pinhal, responsável também pelos municípios de Jundiaí do Sul e Abatiá. Com a instalação da Comarca, a cidade ganhou maior independência judicial e passou a julgar em fórum próprio as representações judiciais, além de receber a representação do Ministério Público do Paraná em seu território.

Com o passar dos anos, a cidade conhece o desenvolvimento, e o progresso. A cada ano novos comércios foram instalados e a cidade começa a ganhar ares mais urbanos, com o asfaltamento de ruas, instalação de mais escolas e a construção de obras públicas para melhorar a qualidade de vida da população.

O atual prédio da Prefeitura Municipal foi construído e inaugurado na gestão do prefeito Dr. Fernando Cezar de Oliveira. A inauguração foi em janeiro de 1.969. O Dr. Fernando também teve grande importância para Ribeirão do Pinhal, pois foi o autor dos símbolos municipais: o Brasão, a Bandeira e o Hino. Símbolos que até hoje ornamentam documentos, prédios, veículos e festividades municipais.   

Durante a década de 1970, Ribeirão do Pinhal passa pela "Era de Ouro do Café" e o aumento populacional, quando a cidade chega a possuir aproximadamente 25.000 habitantes. Graças à fertilidade de nossa terra e ao clima de nossa região, Ribeirão do Pinhal se tornou um dos maiores produtores de café.

Essa "Era de Ouro", entretanto, durou até meados da década de 80. Um dos principais fatores da queda da produção de café e da intensificação do êxodo rural foi a Geada Negra de 1975. Este acontecimento, até hoje o mais crítico da história do estado, foi um fenômeno climático que ocorreu no Norte Pioneiro do Paraná na madrugada de 18 de julho daquele ano. As consequências para a economia do nosso município, e do estado como um todo, foram devastadoras, pois quase dizimou a principal riqueza da região: a produção cafeeira.

A Geada Negra obrigou muitos produtores a arrancarem suas plantações e investir em outras culturas ou na criação do gado. Com o declínio da produção de café, a geração de empregos também declinou, levando milhares de pessoas a abandonar Ribeirão do Pinhal em busca de melhores condições de vidas em outras cidades maiores como Londrina, Curitiba, São Paulo, Maringá, entre várias outras.

Durante a década de 1990, Ribeirão do Pinhal volta novamente ao cenário estadual como principal produtor de café, graças ao investimento do maior produtor de café, da América Latina, Sr. José Ferroni. De 1997 a 2000, nossa cidade foi considerada a "Capital Paranaense do Café", com aproximadamente 22 milhões de pés plantados. Porém, mesmo esse retorno do cultivo do café, que ainda hoje permanece, em menor escala, não trouxe os habitantes perdidos, contribuindo para o decréscimo da população municipal, ano a ano.

Igualmente como ocorreu após a geada negra, o auge da produção do café vai chegar ao seu fim com a morte de José Ferroni. Após o falecimento, as fazendas cafeeiras foram sendo vendidas e transformadas em cultivos de soja, trigo, milho, outros produtos agrícolas e pastos para criação de gado. As pessoas que trabalhavam nas fazendas de Ferroni, ou foram morar na cidade, consolidando o êxodo rural ou se evadiram para centros maiores.

Ribeirão do Pinhal entra no ano 2000 com menos de 15.000 habitantes, resultado da decadência do café e da falta de oportunidades no município. Durante os anos que se seguiram, foi se consolidando na região como lugar de gente acolhedora, simples e humilde. Uma terra construída por gente trabalhadora que vê no progresso da cidade o reflexo do seu trabalho e do suor derramado do seu rosto no labor diário. Uma cidade que possui uma das melhores águas da região. 

A história de Ribeirão do Pinhal é assim, um tanto quanto a história de cada um dos seus habitantes, que tem a dificuldades e vitórias pelas quais essa cidade passou desde o início de sua colonização. Com certeza, José Domingues Faustino, quando partiu das margens do Rio das Cinzas, lá em 1923, sequer imaginava que, com o passar de algumas décadas, ela seria encontrada como a vemos hoje: com a cara de cada ribero-pinhalense. A história de Ribeirão do Pinhal não é homogênea, financiada por uma só pessoa. A história dessa cidade é múltipla, diversa, com traços de cada uma das milhares de pessoas que já viveram nessa terra e contribuíram para o seu progresso. A história de Ribeirão do Pinhal é a minha história, a sua história, a história de toda nossa gente.

* Fonte: Acervo biblioteca O Semeador - Farol do Saber

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